sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Família, Monogomia e Homossexualidade

No texto anterior refleti um pouco sobre o hipócrita (e qusetionável) axioma do monogamia. Mas tenho que dar o braço a torcer para, pelo menos, uma justificativa para a existência da fidelidade carnal em uma relação estável: a criação de um ambiente familiar para os filhos.
É fácil observar o impacto emocional causado a um filho, principalmente quando ainda é criança, ao ver os pais se separando ou descobrindo que terá um irmão que não é fruto de uma relação dos dois. Estas coisas, creio eu, mexe, mesmo que levemente, com a mente e o estado emocional de qualquer um.
Por mais crítico que eu possa ser ao comportamento monogâmico, não consigo ignorar o fato de que um ambiente familiar estável, onde a criança conhece seus pais e ambos o auxiliam em sua formação é o mais saudável para seu crescimento. Não que este seja o único modelo existente e aprovavél, mas continuo crendo eu ser este o melhor.

Partindo deste princípio, consigo aceitar a monogamia como opção de vida em nome da formação plena da "prole". Mas ainda retomo de que esta não é a única opção de se criar os filhos, nem mesmo garantia de que eles serão educados segundos os preceitos compartilhados por seus pais. Esta é apenas a melhor possibilidade, tendo a nossa sociedade moderna como base.

Todavia, existe em um caso específico a incoerência de se viver uma relação estável monogâmica: as relações homossexuais.
Afinal, pensem comigo, se é que realmente alguém lê alguma coisa postada por aqui, o amor nãoescolhe sexo, cor, classe social ou orientação sexual para arrebatar o coração dos apaixonados. Muitos são aqueles que não crêem no amor sincero e mútuo entre duas pessoas do mesmo sexo. Homofóbicos, preconceituosos e ignorantes são o que estas pessoas são.
É perfeitamente natural que dois homens ou duas mulheres, comecem um relacionamento e vivam ao lado desta pessoa até o dia em que a morte os separá-los. O que é difícil de entender é como podem deixar levar pela imposição de uma sociedade conservadora, retrógada e que os discrimina, adotando um modelo de relacionamento heterossexual em suas vidas amorosas.

É mais que certo que a necessidade de sobrevivência da espécie e os benefícios naturais de uma relação monogâmica para a sucessão de genes (ooops, acho que estou indo longe demais na temática biológica), surgiu primeiro do que a concepção religiosa e cultural de que a fidelidade é primordial. De outra forma, muito dificilmente seguiriamos este padrão absurdo de comportamento.
Eis que chegamos então no ponto crucial de toda esta postagem: não faz sentido a manutenção de uma relação estável monogâmica entre duas pessoas do mesmo sexo.

Adotar uma forma de relacionamento predominantemente heterossexual em uma relação homossexual não é apenas hipocrisia ou conformismo, é burrice!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Amor e Sexo

Quanto mais reflito sobre o assunto, mais chego à conclusão de que o amor e o sexo são coisas que permitimos nos enganar como dependentes uma da outra.
Existe a relação entre duas pessoas, as experiências por elas compartilhadas, a troca de carinho, a confiança mútua, o respeito, o aprendizado, os sorrisos, as lágrimas, o cuidado, a amizade e todos os outros sentimentos que, reunidos, ousamos a chamar de amor. Este é um ponto consolidado em nossa sociedade, assim como em minha mente. Agora, o que eu não entendo é a relação de tudo isto com o sexo.

Está certo que existe uma abismal diferença entre fazer sexo casualmente e estar com alguém que você tem algum tipo de sentimento. Acredito sim na distinção de "transar" e "fazer amor". A questão que não consigo digerir no âmago de minhas reflexões é a proibição do sexo com terceiros, quando se está em uma relação estável.

Longe de mim promover a infidelidade, coisa que não acredito e repudio. Até porque, ser infiel a alguém não tem relação direta com o sexo. E sim à traição da confiança da outra pessoa, a quebra de qualquer tipo de acordo pré estabelecido. O que venho aqui, não defender, mas refletir, é a hipocrisia máxima da fidelidade sexual entre dois parceiros.

Eu não conheço, tampouco creio em, alguém que encontra o 'amor da sua vida' e fica cego para belos rostos e corpos deliciosamente proibidos. A biologia defende ainda que o homem é naturalmente propenso à infidelidade, mas não excluo as mulheres desta lista de desejos.

Ninguém para de olhar ao lado e até mesmo de desejar o encontro carnal de outras pessoas, quando esta amando. O que ocorre é a irrisória falácia, hipocrisia suprema e falsidade mútua de dizer que só temos olhos para o parceiro. Por qual razão então a monogamia é vista como única forma de relacionamento aceitável perante a sociedade moderna?

As evidências de que não somos naturalmente monogâmicos são relatadas no livro "O Mito da Monogamia: Fidelidade e Infidelidade em Animais e Pessoas" , segundo os autores, casados em uma relação de mais de vinte anos, entre outros animais a monogamia praticamente não existe e a tendência à infidelidade é natural ao homem. É claro que é possível resisti-la, mas não é no mínimo questionável, um padrão comportamental visto com tanta naturalidade e que é necessário um bucado de força para segui-lo?
Segundo o psicólogo Ailton Amélio da Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, "Onde há monogamia há traição". Isto é algo inevitável. Mesmo que seja o simples desejo de infidelidade.

Muitos defendem que o ciúmes é uma das maiores provas de amor. Como estes são tolos. O que é o ciumes a não ser a maior prova de insegurança, egoísmo e egocentrismo que poderia existir? O medo de ser trocado, abandonado ou rejeitado, é certamente o que faz muitos casais manterem uma relação monogâmica, incontáveis vezes, baseada em traições.
Não seria melhor vivermos uma relação onde cada um fala o que pensa, faz o que quer e não trai a confiança de ninguém. Tampouco passa pelas desgastantes e intermináveis discussões controladoras? Não digo que a monogamia não merece uma chance, tudo e todos merecem. O que vale é sempre viver bem consigo mesmo, não desrespeitar o outro e basear qualquer relacionamento no amor, e não na insegurança ou egoísmo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Uma Mente Livre

Acho que estou envelhecendo. Chego a esta aparente óbvia conclusão ao perceber que a minha mente está amadurecendo. Sinto cada vez menos a necessidade de precisar provar algo a alguém ou fazer questão de aparecer, nem que seja por trás de linhas sinceras em um endereço na rede. Creio que já passei desta fase.




Fico muitas vezes ansioso, agitado, nervoso e não consigo disfarçar todas essas emoções daqueles que estão ao meu redor. Fico assim quando estou com a mente presa, cheio de pensamentos e divagações que insistem em martelar meu consciente, e subconsciente também.
Nestas horas, sinto a necessidade de escrever, esvaziar a mente e libertá-la, em todos os sentidos.

Há muito tempo venho namorando a ideia de poder escrever e não me preocupar com formato, conteúdo, informação e, principalmente, com a consequência de meus escritos. No dia de hoje, parece que algo finalmente firmou em minha mente e permitiu que eu escreva sem nenhuma amarra ou neura. Me sinto livre a pesar meu dedo sobre estas teclas e sei que muito poderei aqui escrever coisas que jamais poderia colocar em um Blog, usando nome, e-mail ou username habitual.

É claro que uma pessoa mais atenta poderá me envontrar nestas linhas. Não farei questão de esconder meu estilo de escrita ou palavras habituais em meu vocabulário. Tal atitude só iria continuar me prendendo, e não tornar cada vez mais livre a minha mente e a de quem ocasionalmente passar por esta página.



No mais, espero que tudo o que for aqui escrito sirva como aprendizado, lição, noção, reflexão e facilitador para a quebra de correntes invisíveis que muitas vezes nos amarram e não permitem que percebamos a facilidade que é ser verdadeiramente livre.