quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Amor e Sexo

Quanto mais reflito sobre o assunto, mais chego à conclusão de que o amor e o sexo são coisas que permitimos nos enganar como dependentes uma da outra.
Existe a relação entre duas pessoas, as experiências por elas compartilhadas, a troca de carinho, a confiança mútua, o respeito, o aprendizado, os sorrisos, as lágrimas, o cuidado, a amizade e todos os outros sentimentos que, reunidos, ousamos a chamar de amor. Este é um ponto consolidado em nossa sociedade, assim como em minha mente. Agora, o que eu não entendo é a relação de tudo isto com o sexo.

Está certo que existe uma abismal diferença entre fazer sexo casualmente e estar com alguém que você tem algum tipo de sentimento. Acredito sim na distinção de "transar" e "fazer amor". A questão que não consigo digerir no âmago de minhas reflexões é a proibição do sexo com terceiros, quando se está em uma relação estável.

Longe de mim promover a infidelidade, coisa que não acredito e repudio. Até porque, ser infiel a alguém não tem relação direta com o sexo. E sim à traição da confiança da outra pessoa, a quebra de qualquer tipo de acordo pré estabelecido. O que venho aqui, não defender, mas refletir, é a hipocrisia máxima da fidelidade sexual entre dois parceiros.

Eu não conheço, tampouco creio em, alguém que encontra o 'amor da sua vida' e fica cego para belos rostos e corpos deliciosamente proibidos. A biologia defende ainda que o homem é naturalmente propenso à infidelidade, mas não excluo as mulheres desta lista de desejos.

Ninguém para de olhar ao lado e até mesmo de desejar o encontro carnal de outras pessoas, quando esta amando. O que ocorre é a irrisória falácia, hipocrisia suprema e falsidade mútua de dizer que só temos olhos para o parceiro. Por qual razão então a monogamia é vista como única forma de relacionamento aceitável perante a sociedade moderna?

As evidências de que não somos naturalmente monogâmicos são relatadas no livro "O Mito da Monogamia: Fidelidade e Infidelidade em Animais e Pessoas" , segundo os autores, casados em uma relação de mais de vinte anos, entre outros animais a monogamia praticamente não existe e a tendência à infidelidade é natural ao homem. É claro que é possível resisti-la, mas não é no mínimo questionável, um padrão comportamental visto com tanta naturalidade e que é necessário um bucado de força para segui-lo?
Segundo o psicólogo Ailton Amélio da Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, "Onde há monogamia há traição". Isto é algo inevitável. Mesmo que seja o simples desejo de infidelidade.

Muitos defendem que o ciúmes é uma das maiores provas de amor. Como estes são tolos. O que é o ciumes a não ser a maior prova de insegurança, egoísmo e egocentrismo que poderia existir? O medo de ser trocado, abandonado ou rejeitado, é certamente o que faz muitos casais manterem uma relação monogâmica, incontáveis vezes, baseada em traições.
Não seria melhor vivermos uma relação onde cada um fala o que pensa, faz o que quer e não trai a confiança de ninguém. Tampouco passa pelas desgastantes e intermináveis discussões controladoras? Não digo que a monogamia não merece uma chance, tudo e todos merecem. O que vale é sempre viver bem consigo mesmo, não desrespeitar o outro e basear qualquer relacionamento no amor, e não na insegurança ou egoísmo.

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